terça-feira, 28 de abril de 2015

Ruiva

Certo dia te vi passar por ai
como quem não queria nada
como chuvisco na madrugada
teus cabelos com a cor do sol poente
tuas mãos brancas e quentes.

Pudera eu ser teu dono
dono dos seu outono
como queria te ter
nem que por cinco minutos te ter
ter para mim o seu andar

Ah se fossem minhas tuas mãos
haveria eu de segura-las, pelo resto dos meus dias
ou até que me houvesse a força
mas é tudo um grande delírio
nem me passa teu olhar

Não sei de quem és...
só sei que te quis
por um instante te quis
certo dia te vi passar por ai
e te quis como quem não quer nada
como chuvisco na madrugada.

Rafael Carvalho Teodoro



segunda-feira, 27 de abril de 2015

Ver-te

Ver-te é temporal
é fazer chover paixão
confusão
ser incapaz

Ver-te é querer-te sem poder
e ainda assim poder
te querer
é ventar em mim você

Ver-te…
é um delírio
é um inferno
ter-te... ver-te é tempestade.

 Rafael Carvalho Teodoro

No embalo do teu abraço

No embalo do teu abraço é que eu sossego meu cansaço, no cheiro do teu pescoço eu me faço deleitar. Faço das tuas curvas o repouso de meus arcos. Teus cabelos, ó teus cabelos, são o aconchego do meu amar, Nessa vida que tenho levado, nos lugares que tenho andado, a correria, precavia, destripada, acelerada e sem parar. Nada me serve de sossego, se não te envolver em meu braço, sentir teu cheiro suave, e me fazer descaçar, no embalo do teu abraço.

 Rafael Carvalho Teodoro

domingo, 26 de abril de 2015

Visitas ao coração

Sempre que visito o coração de alguém me mostro um excelente hospede, não toco em nada, não quebro nada, nada roubo. Quando vou embora nem se lembram que por lá passei. Mas comigo... comigo é diferente, as visitas que por aqui passam trazem consigo um vendaval, uma selvageria indescritível. Quebram meus pratos, rasgam as paredes,  roubam tudo que podem, o meu chão deixam repleto de pegadas imundas
, no meu teto é possível encontrar pedaços de macarrão. E eu pobre coitado, demoro dias e dias pra poder limpar a bagunça, a presença daquela visita inconveniente parece não sair enquanto não termino a faxina. E quando por fim termino, sento-me em uma poltrona de veludo, avalio cuidadosamente o ambiente... que excelente trabalho! E quando me deixo descansar, que respiro aliviado... DING DONG!
A campainha toca.

Rafael Carvalho Teodoro